// me pediram um autógrafo; quase dei

2013-08-15 20.52.53Não, não é vaidade de jornalista. Na verdade, me convenceram de que eu fui uma pessoa má, que destruiu a ilusão de uma criança, algo próximo a ter contado para ela que Papai Noel não existe. Mas, sim, me pediram um autógrafo. Era engano, claro, mas pediram. E esta blogueira que nos escreve, boa alma, quase deu =P

Já falei para alguns amigos e ando também desconfiando de que serei desclassificada das próximas promoções da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV). Já ganhei de tudo, de ingresso pra jogo (nunca fui) a top autografado da Juliana, quando ela encerrou a dupla de praia com Larissa. Por último, uma camisa da líbero Fabí.

Como boa torcedora, fanática, louca, reclamona, apaixonada por vôlei, fui fazer a boa e velha corridinha na orla com a camisa amarela abençoada. E um agravante: sem perceber, de short azul marinho, toda uniformizada de jogadora de vôlei – só faltou ser grande =/

Corria, corria, e o povo olhando. Quando eu já estava achando que tinha alguma coisa errada com a roupa, que o short tinha ficado pelo caminho, que a calcinha tava aparecendo, que eu estava sangrando, que minha cabeça estava verde, parei, de turista, para tirar uma foto do Farol da Barra. Aí começou a ladainha.

– Fabi…

Continuei com a minha foto.

– Fabiii?

Nada. De repente, uma criaturinha me cutuca. Me virei e a pessoinha, que deveria ter uns 5 aninhos:

– Fabi, você me dá um autógrafo?

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Poderia ter dado, né? Tava de óculos escuros, ela nem ia perceber na foto que eu não pareço nem um pouco com a Fabí de verdade – só um pouquinho da loucura. Escrevia lá, botava uma carinha feliz e deixava a criaturinha alegre, achando que tinha um autógrafo da Fabí. Mas, não. Acabei com a ilusão da criança…

– Poooxa, eu não sou a Fabí, só tenho a camisa dela. Ela tá no Japão, ganhando todas!

A menina fez uma carinha de riso, mas meio tristinha. Quase peguei o endereço dela, pra encomendar o autógrafo e mandar depois. Mas nem isso… O choque de alguém me tirar do santíssimo anonimato por dois minutos foi maior.

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// sobre não gostar de palhaços

todo-palhaco-tambem-e-tristeNão sei se foi porque quase todos os circos que fui até hoje se pareciam mais com o Circo Três Américas, cujo mastro era menor do que o que o de um barco e o toldo parecia mais com uma peneira do que com uma lona para abrigar o picadeiro, como Jorge Amado descreve o circo onde o negrinho Tuísca vira artista, em ‘Gabriela, cravo e canela’. Fato é que nunca gostei de palhaço. Nunca mesmo.

Sem bullying comigo, por favor 😉 É só que eu acho que sempre fui mais afeita às piadas de verdade, aquelas do cotidiano, que queriam dizer alguma coisa, do que ao humor barato e leve, sem maldade, sem verdade, dos palhaços do picadeiro.

Aquelas roupas coloridas, aquele excesso de alegria para encantar as crianças e vender bilhetes. Aquele bambolê na cintura, só para o cara parecer mais gordo do que era, de fato… tsc

Não, nunca gostei. Gosto dos palhaços dos ônibus, das ruas, das praças. De picadeiro, não. Palhaço de verdade. Palhaço baiano, palhaço gente como a gente, que sabe do que a gente fala, onde o sapato aperta, onde o calo dói, e faz piada disso.

Palhaço que roda o chapéu porque precisa levar algum pra casa. Palhaço que tira a pintura, a roupa colorida, o sorriso forçado, e continua sendo meio palhaço – ou não.

// alisamento para crianças em blog de maternidade paulista gera discussão

13024840 copySaí do ócio virtual pra vir aqui me indignar com um post no blog da Maternidade Santa Joana, em São Paulo. Muita gente pode ter visto, ouvido falar do tal post, mas eu só tomei conhecimento do ocorrido hoje, quando recebi um e-mail do Correio Nagô com o seguinte título: “Post em blog de maternidade paulista estimula alisamento em cabelo de crianças para ‘deixá-las mais bonitas'”.

A postagem era de 16 de janeiro – era, porque a maternidade tirou o post da discórdia do ar. É assim: eu fui passando as postagens do tal blog e vi, por alto, que os assuntos abordados por eles parecem até bem pertinentes às mães, principalmente as de primeira viagem – mas não posso dizer com muita propriedade porque nem “comprei a passagem” da minha viagem ainda, quanto mais…

Imagino a quantidade de solicitações que esse pessoal não deve receber pedindo orientação para tudo na vida – relacionado aos bebês ou não. Mas tem uma coisa chamada bom senso que faltou ali. Vamos fazer uma análise rápida da coisa:

– Não tem um negro na imagem de topo do blog
– A menina do post do alisamento é negra, embora branquinhos, loirinhos, de olhinhos azuis também tenham cabelos “crespos ou rebeldes demais”, como eles mesmos dizem

E o post começa assim:

“Muitas crianças nascem com os cabelos crespos ou rebeldes demais” [É doença, é defeito de fabricação, é um problema, por acaso???]

E continua:

“Com a adesão cada vez maior às técnicas de alisamento, algumas mães recorrem a essas alternativas para deixarem as crianças mais bonitas” [Sim, claro, porque bonito é liso e sem sair um fio do lugar; o cabelo crespo natural é um negócio para ser limado da vida da criança!]

E outra coisa: quem, em sã consciência, alisa cabelo de criança, de bebê? Isso é coisa pra maternidade estar falando? E a identidade da criança, fica como?

Pronto, tenho mais nada, pra dizer, não. Era só isso mesmo.

// ‘Menino Joel’ chega ao cinema

Miriam da Conceição, mãe de Joel da Conceição Castro

O assassinato do menino Joel da Conceição Castro, de 10 anos, no Nordeste de Amaralina (Salvador), completa 17 meses em 21 de abril. Mas o crime que comoveu a Bahia ainda não tem solução. Mas a força da mãe Mirian da Conceição, a resignação do pai Mestre Ninha e a emoção do irmão Jeanderson Castro prometem emocionar o público e não deixar que se esqueça de um dos crimes mais chocantes dos últimos anos: Joel, que sonhava ser mestre de capoeira, como o pai, foi morto com um tiro na cabeça, disparado por um policial militar, dentro da própria casa, em 21 de novembro de 2010.

A história, que também figurou por semanas nas manchetes dos jornais, foi parar no cinema. Para o diretor do longa ‘Menino Joel’, o italiano Max Gaggino, o trabalho apresentado na quarta-feira, 18, para familiares e convidados, não busca apontar um culpado. “É um estudo que busca mostrar os motivos de tanta mortandade infantil em Salvador. Demos oportunidade a todos de se pronunciarem”, disse. Ainda segundo Gaggino, que se tornou amigo da família de Joel, o documentário recebeu apoio da comunidade do Nordeste de Amaralina. “A comunidade abraçou o projeto. Foi uma história que tocou todo mundo”, afirmou.

Ao longo de mais de duas horas de documentário, especialistas, defesa, Polícia Militar, Civil, amigos e familiares de Joel traçam a história do garoto, sob o pano de fundo do dia-a-dia na comunidade, o cenário de violência, ausência do Estado e negligência com as populações de bairros periféricos. “O sonho dele era chegar até um momento desses, de ser reconhecido. Infelizmente, foi de uma maneira triste”, desabafou o pai do garoto, Joel Castro, 43, que ainda aguarda o andamento do processo na Justiça. “Às vezes, é tão lenta que a gente cansa”, disse.

O documentário é o primeiro trabalho do diretor Max Gaggino que chega aos cinemas, e tem produção de Rodrigo Cavalcanti. A exibição para o grande público será divulgada através do site oficial e pela página no Facebook. A expectativa é que a estreia aconteça nos primeiros dias de maio.

Veja o trailer do filme:

// desocupa, joão!

Foto: Clarissa Pacheco

Não posso dizer que o Desocupa João foi tão empolgante quando o “Desocupa Salvador”. Cheguei atrasada… Mas, certamente, foi motivo de orgulho dos soteropolitanos. Parace que a nossa digníssima prefeitura tem contribuído bastante para o sentimento de revolta e indignação da população.

Bem, né? Pelo menos assim o povo bota a cara na rua e mostra que a cidade ainda está bem viva! Soube que teve queima do boneco de Jão e tudo! Não assisti ao vivo, mas vi fotos depois.

Mas, melhor do que isso – pode ser romantismo da minha parte, ou não – foi achar uma nova “cara-pintada” no meio daquela gente toda. Não consegui perguntar o nome da menina de vestido rosa, mas fiquei vidrada nela, com o rostinho pintado em verde e amarelo. Linda! E mais linda ainda quando fez coro aos gritos de “Desocua, João!”.

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// tia Otária e o ioiô

Ioiô de Otária da Silva Sauro \o/\o/

– Desculpa aê, tia…

Tia. Pronto, além de tudo, Otária da Silva Sauro agora é tia. Pelo menos não é Tiazinha, pra não pegar muito mal na fita. Mas é tia. Ponto final. Agora olhem bem pra cara de Otária e digam se ela tem cara de ser tia de alguém. Pro gurizinho que tava vendendo ioiô – a nova febre do momento que, inclusive, ganhou a adesão de Otária – tem.

Lá vai Otária, alegre e saltitante, subindo a passarela da Tancredo Neves. Já tinha visitado ozamiguinhos – Os Backiaaaaaardigaaaaannns – e estava prestes a cumprir a promessa de comprar um ioiô. Promessa essa que, aliás, vinha sendo adiada há umas três ou quatro semanas.
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