// pernambués-rio vermelho: de bike!

Uma semana depois, poderia até dizer que o relato perdeu a graça e que eu deveria ter escrito no dia que aconteceu. Mas confesso que minhas pernas roubaram a energia da cabeça e das mãos, o que me obrigou a deixar para escrever hoje – sim, só poderia fazer hoje, porque a matéria que levou ao relato (é isso mesmo?) saiu hoje! \o/\o/

Seguinte: na semana passada, decidimos lá no Jornal da Metrópole fazer uma matéria sobre mobilidade urbana – do ponto de vista de quem transita por Salvador, seja de carro próprio, de ônibus, de táxi, moto, bicileta ou – como boa parte faz – de ônibus.

A ideia era fazer o trajeto entre a sede do Grupo Metrópole, em Pernambués, até o Largo de Santana, no Rio Vermelho. E assim fizemos: dois colegas seguiram dirigindo, um terceiro foi de táxi, outro de ônibus e eu, acompanhada do amigo Roquinho (Som do Roque), fui pedalando.

Diferente do que esperava, não fui a última a chegar! rsrs Mas a expectativa da maioria se confirmou: com certeza chegaríamos antes de quem fosse de ônibus. E chegamos com folga. Em 45 minutos, fizemos pedalando o trajeto de cerca de 12 km.

Bom, vamos ao relato: o primeiro desafio foi descer a Rua Numa Pompílio Bittencourt, conhecida também como Ladeira do Detran (para quem mora em Salvador, é uma ladeira enorme exatamente ao lado do Detran). E que ladeira! Minha coragem pra descer ladeiras já não é lá essas coisas e o meu freio traseiro estava bem baixo… Ou seja, eu colava o punho no freio e a bike continuava descendo, bem alegrinha… Depois de uma pausa antes de primeira descida mais íngreme, seguimos (quase) tranquilos pela contramão. Sim, pela contramão. A falta de ciclovias ou ciclofaixas em Salvador – ou, ao menos, a falta de integração dos pocuos quilômetros que existem com o sistema viário, nos obriga a pedalar em alguns trechos pela contramão.

Assim fizemos, até a chegada à passarela que liga a Rodoviária de Salvador ao Shopping Iguatemi. Atravessamos a passarela empurrando a bike, no fluxo dos pedestres. Após 10 minutos da saída em Pernambués, estávamos em frente ao shopping, pegando mais um trecho considerável na contramão. Esse trecho, especificamente, entre o Iguatemi e a entrada do Hiper Posto, nos obrigou a descer da bike algumas vezes, já que acabávamos ficando de frente a motociclistas que aproveitavam os corredores para fugir do engarrafamento – sem muito sucesso – e com pedestres.

Finalmente, entre o Hiper Posto e o Shopping Itaigara, um trecho no mesmo fluxo que os carros, ônibus, caminhões, etc… Pegamos o primeiro engarrafamento do dia. Explico: os carros enfrentaram o engarrafamento, mas nós conseguíamos fugir um pouco, já que aproveitávamos os corredores. Mas na saída do Itaigara, não tive escapatória. Fiquei na frente de um ônibus e ao lado de um caminhão, que tentava sair já algum tempo.

Pronto, atravessamos um trecho da Avenida ACM e estávamos na pista que nos levava ao parque Júlio César. Aí a minha falta de frequência nas pedaladas deu sinal de vida rsrs Numa subida leve, já estava com a língua para fora. Pedalei mais devagar, desci a marcha até chegar à Avenida Manoel Dias da Silva, na Pituba. Com mais fôlego, seguimos para o nosso primeiro – e único! – trecho em ciclovia. Passamos pela Pituba e chegamos até o Quartel de Amaralina pela ciclovia que, na verdade, serve muito mais como espaço de lazer do que como integração com o sistema viário da cidade. Mas que, sem dúvidas, dá aquela tranquilidade de não estar em meio aos carros.

Completamos 40 minutos de pedalada com mais um trechinho na contramão e chegando à Rua Osvaldo Cruz, já no Rio Vermelho: na minha humilde opinião, o pior trecho em que já pedalei para me manter na margem direita da pista. Na Osvaldo Cruz, a margem direita parece mais uma série de quebra-molas, de tão irregular que é. Ainda há uma série de buracos e algumas bocas de lobo, que acabam obrigando a gente a desviar e fazer alguns zique-zagues.

Vai lá que a pressão de pedalar ao lado de pontos de ônibus e ter os “gigantes” atrás da gente não é das sensações mais agradáveis. A impressão é que os ônibus vão passar de vez levando você a bicicleta junto. Para quem não tem muita experiência de trânsito como eu, a alternativa é aceitar que pode estar sendo xingada pelo motorista e se manter no meio da faixa, na frente dele e impedindo que ele siga e lhe ultrapasse. Explico, de novo: se o ciclista se coloca na margem direita, o motorista do ônibus se sente à vontade para seguir na pista e o risco de que você cai, nesse trecho especificamente, é grande, já que além da pista irregular, o acostamento é quase um buraco e fica cheio de pessoas que aguardam nos pontos.

Seguimos mais um trecho na contramão por uma das transversais da Osvaldo Cruz até, finalmente, chegarmos ao Largo de Santana. Quase 12 km em 45 minutos. Segundo meu amigo Roquinho, um tempo legal para quem não está pedalando com frequência! \o/\o/ Não foi necessariamente um trajeto difícil. Foi até bem tranquilo, mas serviu para reforçar que Salvador ainda é uma capital “ingrata” com os ciclistas. Cada vez mais vejo pessoas usando a bike para ir ao trabalho, à faculdade, para chegar a outros compromissos, como forma de lazer. Ou, simplesmente, gente que está disposta a isso. No entanto, Salvador ainda está muito aquém de cidades próximas, como Aracaju (SE), que tem um trânsito mais organizado e uma integração com ciclovias que funciona – tudo bem, Aracaju é uma cidade menor, mas mesmo assim, dá para percer que está um passo à frente de Salvador.

Já escrevi demais! hehehe Recomendo que leiam a matéria de capa do Jornal da Metrópole de hoje (22), assinada pelo colega Adalton dos Anjos. Tá bem legal, basta clicar na imagem! 😉

Ah! Pra quem quiser encarar as pedaladas, pode começar clicando aqui e aqui!

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// bicicletando em Londres

Antes de começar a escrever, pensei em não reclamar, em ser menos rabugenta só dessa vez. Mas o assunto não permite. Só uma reclamaçãozinha de leve: por que, minha gente, as pessoas no Brasil não conseguem colocar em prática soluções viáveis para melhorar o trânsito? Hoje eu entro num ônibus e, às vezes, tenho mais medo de ficar dentro dele do que em cima da minha bicicleta. Quando o motorista desce a Avenida Contorno no começo da manhã ou o viaduto da Rótula do Abacaxi no final da tarde, a oração começa com “Senhor, não faça com que esse ônibus despenque daqui” e acaba com “Ufa! Mais 24 horas”.

E aí a gente vai vendo que as pessoas até tentam, mas não se vê solução para o trânsito caótico nas grandes cidades brasileiras. E por aí a fora, a gente vai vendo as coisas funcionarem. Não foi um passe de mágica, mas estão aí para servir de exemplo. Só que ninguém segue…

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// Otária, o motorista do buzu e o buraco do…

Ilustração: Coolkids

Asfalto. O buraco do asfalto! Tá. O asfaltamento de Salvador é um verdadeiro desastre, isso não é nehuma novidade. Três dias de chuva são suficientes para que o “tapete” se revele e mostra seu lado “montanha-russa de ser”. Para quem anda, normalmente, isso é notado quando o buraco no chão vira poça de água, quando torce o tornozelo num desnível  ou, simplesmente, quando enfia a cara no chão como se tivese um certo “amor à terra”.

Para quem dirige, o buraco é notado quando a conta da oficina chega. E para quem pedala, o buraco está simplesmente em todos os lugares. Às vezes, parece que a criatura que colocou o asfalto nessa cidade tinha um problema de foco, de coordenação motora, de senso de direção…

Ao mesmo tempo, o chão consegue ser torto, desnivelado e ainda ter uma vocação para quebra-molas “acidentalmente” instalados! Infelizmente, apesar da insistência dos cicilistas, pedalinos e afins na capital baiana, Salvador não parece muito a fim de se tornar a capital da mobilidade – também, acho que tô querendo demais, né?

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// almodóvar de bike

Elena Anaya e Antonio Banderas, em A Pele que Habito (2011) | Foto: Sony Pictures

Almodóvar é um dos dos diretores mais polêmicos e – acredito – sensíveis do cinema mundial. As cores de Almodóvar, ouso arriscar, não passam de uma sensibilidade artística que tanto lhe renderam prêmios ao longo quase 40 anos de carreira – o primeiro filme do diretor espanhol, sem lançamento no Brasil, foi lançado em 1974 (Dos putas, o historia de amor que termina em boda). Exemplo disso são cenas marcantes, como o enterro do pai de Elena (Francesca Neri), em Carne Trêmula (1997); o drama de Mateo Blanco (Lluís Homar), cineasta que perdeu a visão em Abraços Partidos (2009), e passou a trabalhar como o escritor de pseudônimo Harry Caine; a loucura nem um pouco velada de Ricky (Antonio Banderas), recém saído de um simpático hospital psiquiátrico, em Ata-me (1990).
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// oficialmente menina ao vento \o/

Pedal da Primavera | 27 de setembro de 2011 | Foto: Som do Roque

Pronto, gente! Agora eu já sou, oficialmente, uma Menina ao Vento! Aliás, vento, chuva… E devo isso a um monte de gente. Primeiro: Alane Virgínia e minha xará, Clarissa Borges, que me incentivaram a comprar minha bike! Ana Elisa, que me recebeu super bem no grupo Meninas ao Vento. Minha bike anjo Cyntia Oliveira, meu outro bike anjo, Duda, e todos os anjinhos do meu primeiro Pedal da Primavera! Gente, valeu, foi massa demais!
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// curta uma bike \o/

Imagem: Divulgação / Curta uma Bike

Comprei uma bike! Tá, tecnicamente, ela ainda não é bem uma bike: são várias partes de uma esperando que eu encontre tempo para ir montá-la.

Mas, ainda assim, pelo menos em essência, é uma bike. Minha magrela tá atrás da minha porta há alguns dias. Desde então, passo por lá, olho para ela e faço direitinho todo o trajeto do Dois de Julho até em casa.

Hoje, comecei a fazer trajetos diferentes. Em mente, pelo menos. Interrompi conscientemente a minha odisseia no espaço chamada TCC – Transtorno de Conclusão de Curso – e fui assistir a alguns vídeos que concorreram no Festival Curta uma Bike ou uma Caminhada, promovido pelo governo do Estado do Rio de Janeiro.
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