// Retrato do folião no carnaval de Salvador – visto de uma varanda na Ladeira da Barra

A Ladeira da Barra é um lugar ingrato para se passar o carnaval de Salvador. Apesar de ficar perto do começo dos dois principais circuitos – Dodô (Barra-Ondina) e Osmar (Campo Grande) – não funciona como um camarote, onde você possa ver pelo menos uma canja. Em compensação, é um ótimo ponto de observação do perfil do folião baiano – ou não, já que é justamente a via que liga os dois circuitos.

Pois bem: dediquei pelo menos uma hora dos últimos dois dias para “ver os movimentos” no meu playground e interagir com muquiranas, Filhos de Gandhy, foliões em geral e vizinhança.

E cheguei à seguinte conclusão sobre o perfil do folião no carnaval de Salvador:

Foto: Rita Barreto | SeturPESSOAS NORMAIS:
– Mulheres: camiseta, tênis, short, meia soquete
– Homens: camiseta, tênis, bermuda de tactel ou jeans ou cargo

PIRIGUETES DETECTADAS:
– Short no mesmo nível – ou menor – que a calcinha (quando esta existe);
– Abadá cortado de um jeito que apareça SÓ o nome do bloco, acompanhado de top colorido neón
– Meia fitness até o meio da canela (quando acompanhada de tênis)

PIRIGUETES NÍVEL 50:
– Além de (quase) todo o figurino acima, acompanha salto alto plataforma
colorido (de preferência, laranja)
– Mais de quatro colares de Gandhy pendurados no pescoço

sandaliaPIRIGUETES NÍVEL 75:
– Tudo acima relacionado, acompanhado de mais três amigas do mesmo nível
– Muquirana a tira colo (podendo ser substituído por um Filho de Gandhy com
poucos colares pendurados no pescoço)

SEM NOÇÃO:
– Homens ou mulheres com roupa branca impecável, mas a caminho do bloco (ou da pipoca)
– Mulheres com excesso de maquiagem e roupa três números abaixo do normal. Ex: manequim 40 (ou G), usando camiseta de malha 36 (ou PP)
– Tudo isso acompanhado de salto pequeno, mas fino o.O

MUQUIRANA DESENCANADA:
– Peruca, pistola de água, calcinha por cima da fantasia de Afrodite, passadeira de diabinha, brincos. Em casos de desencanamento sério, acompanha ursinho de pelúcia ou boneca. CASOS EXTREMOS: Muquirana que segue todo o circuito do Campo Grande (7 km) empurrando um carrinho de bebê com VÁRIAS bonecas e ursinhos ao som de Márcio-Victor-passa-o-sabonete e o Psirico-do-povão e ainda desce pra Barra

Foto: Tatiana Azeviche | Setur

MUQUIRANA NA DÚVIDA SE AQUILO VAI PEGAR MAL:
– Tiara de Afrodite na cabeça, mas sem peruca. Calcinha, nem pensar. Brincos, então, fora de cogitação. Caminhar mais macho que ex-BBB marrento.

Foto: Tatiana Azeviche | Setur

PESSOAS QUE PREFERIAM NÃO ESTAR NA FOLIA:
Homens ou mulheres trajando calça jeans, colete amarelo ou laranja-Transalvador, crachá no pescoço, lata de refrigerante na mão, rádio-comunicador pendurado do lado, cara de eu-quero-folgar-a-partir-da-quarta-feira-de-cinzas.

01dgoldonajura03012011PESSOAS EU-TAMBÉM-SOU-FILHO-DE-DEUS:
Jornalistas com meio quilo de crachás jogados para dentro da camisa de trabalho, que a essa altura já está pelo avesso, para esconder a logomarca da empresa e não perder o emprego. Vêm, normalmente, em bando, com outros jornalistas que se lascam o carnaval todo e merecem pular um pouquinho na pipoca nossa de cada dia ou no camarote, oferecido por algum assessor de imprensa muito brother. Lata de cerveja na mão, porque, afinal, hoje já é segunda-feira e cinco dias na rua não é brinquedo, não!

// padê

Foto: Rita Barreto | Ascom Setur

As últimas postagens por aqui vêm funcionando quase como uma “Série Bahia”. E nessa Bahia, cheia de encantos, de cores, de cultura e, principalmente, dona de uma força sem igual, às vezes parece que temos uma fonte de encantos que não seca nunca, é abastecida a cada segundo.
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