3.538 páginas

Boa tarde!

Apesar da exclamação ali, este não é um post lá muito orgulhoso… Este é o momento em que eu venho, na maior cara de pau, um ano, um mês e um dia depois deste outro dizer que eu não cumpri a minha meta de leitura em 2013 =/ Mas quase cumpri, oras! =)

Em 2012, depois de uma longa temporada de livros técnicos sobre jornalismo, me obriguei a ler 12 obras durante em 12 meses. Li quase 13. A meta deste 2013 era ler mais 13. Li 10 e uns trocados…

Vamos às desculpas explicações: mudei de emprego, mudei de rotina, fiquei indecisa sobre qual ler primeiro e acabei perdendo um bom tempo parada em um ou outro. O que interessa é que eu tenho 10 boas dicas literárias do ano, que somaram 3.538 páginas – 114 a mais que no ano passado. Desta vez, não tirei nada da lista, nem troquei uns pelos outros. Fui persistente… hehe

Rota 661. Rota 66 – Caco Barcellos – 274 páginas
Terminei em 10/1
Há parênteses a serem colocados no modus operandi? Há, né? (Quase) todo mundo jornalista sabe disso. Mas o livro é espetacular, a leitura prende e fica aquele misto de querer saber o que vem, mas uma pena de acabar… Recomendo um pouco de estômago para ler esse (assim como outro mais à frente).

 

Cinquenta Tons de Cinza2. Cinquenta Tons de Cinza – E. L. James – 480 páginas
Terminei em 16/1
O polêmico parte 1. É vazio, não diz nem acrescenta nada intelectualmente a quase ninguém. Mas a moça britânica sabe muito bem como fazer o leitor devorar as páginas. Esse primeiro livro consegue ser um pouco mais interessante, ainda tem um pouco de
história para contar. Já os outros…

 

Cinquenta Tons Mais Escuros3. Cinquenta Tons Mais Escuros – E. L. James – 512 páginas
Terminei em 28/1
Se no primeiro livro ainda existia uma história a contar, os resquícios de “literatura” vão se esvaindo aos poucos nesse segundo livro na tal trilogia da discórdia, da separação de casais, das cobranças etc etc. Vejam bem, nem por isso eu deixei de ler ele em 12 dias!

 

Cinquenta Tons de Liberdade4. Cinquenta Tons de Liberdade – E. L. James – 544 páginas
Terminei em 17/2
Este eu levei um pouco mais de tempo pra engolir. 20 dias quase de tortura por falta de conteúdo e qualquer coisa que prendesse o leitor. É aquele livro que você fica passando as páginas para saber quantas ainda faltam para acabar. Mas como eu tinha lido os outros dois, não ia largar a trilogia pela metade, né? Muito, mas MUITO fraquinho…

 

Gabriela, Cravo e Canela5. Gabriela Cravo e Canela – Jorge Amado – 336 páginas
Terminei em 30/5
Jorge é Jorge, né? Não preciso dizer muita coisa sobre o Bataclã, o Vesúvio, Gabriela e seu Nacib – a não ser que você não tenha lido o livro ou visto a novela, aí corre lá pra fazer isso. Só vou dizer que não tenho vergonha na cara por ter lido o livro só depois de ver a novela…

 

1Q84 - Livro 16. 1Q84 – Livro 1 – Haruki Murakami – 432 páginas
Terminei em 18/6
O japinha! Depois de ler o espetacular ‘Minha Querida Sputnik’, na meta do ano passado, entendi que posso ler qualquer coisa desse rapaz e estarei feliz. 1Q84 é leve e forte ao mesmo tempo, é intrigante, prende e dá muita, mas MUITA pena de terminar. Principalmente porque quando terminei o livro 1, o 2 ainda não tinha sido lançado no Brasil.

1Q84 - Livro 27. 1Q84 – Livro 2 – Haruki Murakami – 376 páginas
Terminei em 6/9
E aí que pouco mais de dois meses depois, ele é lançado e eu vou desesperada na livraria comprar logo antes que algum louco leve o estoque inteiro. E esse eu li com uma pena absurda, porque o próximo só seria lançado sabe Deus quando. E é perfeito também! Daí que o livro 3 chegou e eu estou contando os minutos para começar a ler =D

Vila Real8. Vila Real – João Ubaldo Ribeiro – 162 páginas
Terminei em 18/11
Bom. Muito bom, na verdade! Ganhei de presente em um amigo secreto no ano passado com a promessa de que eu ia “gostar muito”. E realmente eu gostei muito. É forte e difícil. Tá, talvez não seja tão difícil assim, mas eu admito a minha dificuldade em entender
exatamente o que João Ubaldo Ribeiro quer dizer. A parte boa é que depois que você entende, não quer mais parar de ler!

A Garota da Casa Grande9. A Garota da Casa Grande – Amanda Marchi – 112 páginas
Terminei em 30/11
A autora desse livro me vendeu super bem o peixe! É o livro de estreia de Amanda Marchi e nem por isso deixa a desejar. Não é um livro complexo, é fácil de ler, é divertido e não “pesa”. Bom de verdade!

 

À Espera de um Milagre10. À Espera de um Milagre – Stephen King – 232 páginas
Terminei em 26/12
Natal, uma semana de folga, ócio completo e, para completar, aconteceu o sumiço do livro que eu estava lendo – ‘O Livro das Vidas’. Cheguei em casa, em Mairi, olhei para uma estante com certeza maior do que a minha e bati o olho nesse livro que comecei a ler há um tempo e não terminei, sabe-se Deus porque. Li em quatro dias. É maravilhoso, mas, aviso aos navegantes: gente de coração muito mole e estômago fraco deve ficar BEM longe dele.

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As sinopses dos livros estão disponíveis no Skoob. Meu perfil lá é esse aqui!

Minha meta para 2014 é de 14 livros. Seis já estão na fila. Sugestões?
O Livro das Vidas: obituários do New York Times – Matinas Suzuki Jr (Org.) – 312 páginas (Lendo)
1Q84 – Livro 3 – Haruki Murakami – 472 páginas
Morte Súbita – J. K. Rowling – 501 páginas
O Filho da Ditadura – Juvenal Teodoro Payayá – 175 páginas
Tereza Batista Cansada de Guerra – Jorge Amado – 429 páginas
Ameaças Veladas – Deborah Donelly – 287 páginas

// não vendemos livros de autores baianos

Foto: Clarissa PachecoEm março de 2008, a rede de livrarias Saraiva comprou a concorrente, Siciliano, por R$ 60 milhões. Na época, a Siciliano já era uma das maiores redes de livrarias do Brasil e a única rede que atendia Salvador. Mas não vendia autores baianos. Não é piada.

Três anos antes, em 2005, um autor baiano tentou vender pela Livraria Siciliano o seu livro ‘Nelson Maleiro: o ‘Gigante’ das Mil e Uma Criações’. Enquanto apurava uma matéria sobre a história de Nelson Maleiro, descobri que o professor Léo Mendes, na época mestrando em Letras pela Universidade Federal da Bahia (Ufba), havia publicado, com investimento próprio, a biografia de Maleiro, o pioneiro da percussão no carnaval da Bahia. Mas ao levar a obra até uma das unidades da Siciliano, em Salvador (BA), ouviu a seguinte resposta:

– Aqui não vendemos livros de autores baianos.

Uma livraria na Bahia que não vendia autores baianos. Simples assim. Porque esse era o tratamento dado aos produtores da cultura, justamente por um lugar que deveria distribuir essa cultura. Me pergunto se eles ignoravam, ainda nessa época, a baianidade de Jorge Amado, João Ubaldo Ribeiro, Castro Alves e Myriam Fraga, por exemplo.

Fotos: Reprodução, Bruno Veiga e Academia de Letras da Bahia

Felizmente, a situação na Saraiva, que manteve as mesmas lojas e inaugurou outras, é diferente. Existe hoje nas unidades de Salvador uma estante dedicada às publicações variadas de autores baianos. Neste domingo (20), contei 84 títulos, desde os clássicos de João Ubaldo Ribeiro, como ‘Viva o Povo Brasileiro’ (1984), ‘Vila Real’ (1979) e ‘Política: quem manda, por que manda, como manda’ (1981); Jorge Amado, como ‘Gabriela Cravo e Canela’ (1958) e ‘Capitães da Areia’ (1937), até os recém-lançados ‘História da Bahia – Jeito Baiano’, de Jolivaldo Freitas, e ‘As Baianas’, de Carlos Barbosa, Elieser Cesar, Gustavo Rios, Lima Trindade, Mayrant Gallo e o meu amigo Tom Correia. Os dois últimos, inclusive, entre os mais vendidos.

Foto: ReproduçãoA propósito, o livro do professor Léo Mendes  – ‘Nelson Maleiro: o ‘Gigante’ das Mil e Uma Criações’, está à venda através da Associação dos Amigos de Nelson Maleiro.

Telefone para contato: (71) 3247-6006 – Ivan Lima, Ivete Lima ou Léo Mendes

3.424 páginas

Depois de uma longa temporada de quatro anos lendo teorias do jornalismo,
rádio, TV, impresso, revista, internet, semióticas da vida, me propus uma
meta. Tímida, modesta, mas ainda assim uma meta: ler 12 livros em 2012.
Podem me dar os parabéns, o ano nem acabou e já estou começando o 13º da
temporada! \o/\o/\o/

Confesso a minha preguiça crônica em escrever resenhas de livros, mas acho
que posso fazer indicações em poucas linhas do que eu andei lendo no ano do
– dito – fim do mundo! Foram 12 livros, de gêneros, estilos e autores
diferentes: 3.424 páginas de muita diversão e, ainda bem – ótimas escolhas!

Nesse período, substituí somente um livro da meta: abandonei ‘A Relíquia’,
de Eça de Queiróz, e coloquei no lugar ‘Corredor Polonês’, de Alfredo Sirkis. E
vamos à lista:

1. E tem outra coisa… – Eoin Colfer – 368 páginas
Terminei em 24/3
Acho que esse é o menos legal de todos os 12 livros da lista. ‘E tem outra coisa…’ é um projeto de continuação da série ‘O Guia do Mochileiro das Galáxias’, de Douglas Adams. No começo é chato e dá vontade de desistir, tamanha a diferença dos textos de Colfer e Adams. Mas do meio para o final, o autor entra no espírito da coisa e o livro fica bem legal!

2. Minha querida Sputnik – Haruki Murakami – 236 páginas
Terminei em 28/3
Ouvi falar do livro – e do autor – lendo um conto em momentos de ócio de final de semana. Falavam tão bem, mas tão bem da obra do japonês Haruki Murakami que fui procurar ‘Minha querida Sputnkin’ no dia seguinte. Resultado: o livro é lindo, leve, bem escrito e daqueles que dá muita, mas MUITA pena de ver ele acabar. Lerei Murakami mais vezes!

3. Cem Anos de Solidão – Gabriel García Marquez – 286 páginas
Terminei em 15/4
Já havia tentado começar a ler ‘Cem Anos de Solidão’, mas o primeiro capítulo era uma coisa tão confusa que a minha preguiça mental não deixou continuar. Quando foi noticiado que Gabriel García Marquez sofria do Mal de Alzheimer, resolvi que estava na hora de ler ‘Cem Anos de Solidão’. E é, sem dúvida alguma, um dos melhores livros que já li na vida! Nunca vi tamanha criatividade e capacidade para compor um enredo com tantos personagens carregando os mesmos nomes, por exemplo.

4. Carne trêmula – Ruth Rendell – 280 páginas
Terminei em 3/5
‘Carne trêmula’ parece um pouco com ‘O Processo’, de Franz Kafka. A mesma capacidade de prender a atenção por situações absurdas e cruéis. Tudo o que há de pior – e melhor – no ser humano está inserido na obra que inspirou um dos principais filmes de Pedro Almodóvar.

5. Ronda Noturna – Sarah Waters – 490 páginas
Terminei em 28/5
Ouvi falar de ‘Ronda Noturna’ em um blog com indicações de autores. Sarah Waters é, realmente, espetacular. Ronda Noturna se passa na Londres da Segunda Guerra Mundial e reconta o cotidiano das pessoas através da ótica de uma motorista de ambulância que trabalhou durante a guerra. Muito bom mesmo!

 

6. Triângulo Rosa – Jean-Luc Schwartz – 184 páginas
Terminei em 5/6
Estava no consultório médico quando abri uma revista Istoé de 2010 e encontrei uma matéria sobre as memórias do último Triângulo Rosa da Segunda Guerra Mundial. Comecei a procurar e até me decepcionei quando comecei a ler. Como tenho muitíssima boa vontade, li até o final e até consegui simpatizar com o livro. Às vezes a narrativa é chata, mas a história do último homossexual sobrevivente da guerra vale a pena. Acho que o grande
problema, na verdade, está na tradução do alemão para o português.

7. A Sucursal – Biaggio Talento – 120 páginas
Terminei em 17/6
Para quem gosta de contar e ouvir histórias, o apanhado de situações inusitadas ocorridas durante os 30 anos da sucursal do Estadão na Bahia é uma ótima pedida. A seleção de Biaggio Talento rende boas risadas com histórias cômicas sobre animais, velórios, coberturas jornalísticas inesperadas e muito divertidas.

8. Reima – Dau Bastos – 384 páginas
Terminei em 28/7
Guardei esse livro por muito tempo antes de começar a ler, mas valeu a pena. ‘Reima’ tem uma narrativa excelente e bastante realista do cotidiano em uma favela do Rio de Janeiro. As relações humanas na comunidade através de diversos pontos de vista (a estrangeira que adorou o morro, a síndica do condomínio de classe média vizinho à favela; moradores da comunidade, honestos ou não; e até um dos líderes do tráfico no local) são o tema da obra de Dau Bastos.

9. Um copo de cólera – Raduan Nassar – 88 páginas
Terminei em 30/7
O livro é bem parecido com o filme e a sensação é que tudo acontece – mesmo! – de um fôlego só. ‘Um copo de cólera’ narra uma sucessão de absurdos para serem lidos de uma única vez, sem parar por mais de 24 horas.

 

10. A Ilha Roubada – Sandro Vaia – 180 páginas
Terminei em 13/9
O livro-reportagem de Sandro Vaia sobre os dias da blogueira cubana Yoani Sánchez é daqueles que dá vontade de escrever um também! hehe O livro fala do contexto político cubano através do ponto de vista de Yoani, censurada no país por falar sobre os problemas enfrentados pela população diante do governo de Fidel Castro.

 

11. A vida como ela é – Nelson Rodrigues – 536 páginas
Terminei em 4/11
Segundo minha mãe, Nelson Rodrigues já parece comigo. ‘A vida como ela é’ é um retrato da sociedade brasileira dos anos 70-80 (?), onde o cenário é a periferia do Rio de Janeiro. Rende ótimas risadas, mas algumas histórias tenebrosas também…

 

12. Corredor Polonês – Alfredo Sirkis – 272 páginas
Terminei em 27/11
Confesso que tive preguiça de começar a ler ‘Corredor Polonês’. O outro livro de Alfredo Sirkis que li, ‘Os Carbonários’, apesar de contar uma história real e maravilhosa, tinha uma narrativa péssima, um livro muito mal escrito e mais ainda mal revisado. ‘Corredor Polonês’ não sofre desse meu, mas Sirkis ainda faz gracinhas desnecessárias no meio da obra. No mais, é excelente pelo contexto político na Polônia socialista, no mesmo período em que o Brasil passava pelo regime militar.

// sobre [chuva], café e cigarros

Fazia tempo que não chorava. Nem de tristeza, nem de emoção, nem de nada. Nem um porre, nem uma ressaca, nem um corte na ponta dos dedos para arrancar algumas lágrimas, sequer.

Mas naquele início de noite de sexta-feira… O dia prosseguia feio, sem sol, sem chuva de verdade. Apenas aquele nublado sem graça. Aquele que desperta sempre os mesmos comentários:

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