// Chupa, futebol. Aqui é vôlei!

Este post começou a ser escrito na terça-feira (7), depois da vitória espetacular das meninas do Brasil sobre as russas, por 3 sets a 2. Queria escrever tudo naquele dia, mas resolvi esperar e acreditar que iria fazer o post do Bi Olímpico. E deu certo: as meninas ganharam o ouro, de virada, sobre as americanas, e são as primeiras mulheres da história a conquistar um bi-campeonato na história dos Jogos Olímpicos! \o/\o/\o/

Este é, também, o post mais emocionado dos últimos tempos. Por dois motivos: primeiro, porque sou brasileira e, lógico, não desisto nunca; segundo, porque o vôlei foi o primeiro assunto a me “apresentar” ao jornalismo. Para quem não sabe, eu fui colunista/comentarista de vôlei em um site especializado há uns três ou quatro anos atrás. E faz tempo que não sentia a emoção de praticamente “entrar em quadra” junto com as meninas.

Escrever sobre vôlei e sobre a atuação e a superação das meninas é especial. Quem me conhece, sabe como eu assisto a uma partida do esporte que mais cresce e – ouso dizer – mais vem dando alegrias aos brasileiros: de pé, na frente da TV, gritando, sem piscar, reclamando que a bola deveria ser levantada pra um lado, não pro outro, que era pra ter
cravado o ponto, não largado, etc. Coisa de torcedor chato que acha que sabe mais que o técnico… hehe

Mas nessas olimpíadas, as coisas aconteceram de um jeito um pouco diferente… Mais da metade dos jogos ocorreram no meu horário de trabalho. Ou seja, não dava para gritar, pular e ficar em pé na frente da TV dentro da uma redação de jornal (não foi exatamente o que aconteceu no tie-break entre Brasil e Rússia). Por dentro, no entanto, a emoção era a mesma. A alegria de ver as meninas brilharem em quadra e fora dela, se superarem e darem a volta por cima a cada partida, maior ainda!

Ver sheilla crescer a cada jogo, fazer 12 aces e se consagrar a melhor sacadora das Olimpíadas; ver Fê Garay ser a melhor receptora; ver Fabiana ser eleita a melhor bloqueadora; ver o choro de Thaisa, as cravadas fenomenais pelo meio de rede, ver a atuação impecável de Jaqueline; ver as defesas impossíveis de Fabizinha; ver o Brasil atropelar os Estados Unidos pela segunda Olimpíada seguida, mais uma vez por 3 sets a 1, de virada… não, isso não tem preço!

O que dizer da torcida em Londres, com mais brasileiros do que tudo, gritando “ÔÔÔ, O CAMPEÃO VOLTOOOU!” durante o tie-break contra a Rússia? O que dizer do narrador da Sportv chorando após o ponto de Fernanda Garay, fechando o jogo em 21×20? O que dizer do peixinho do Zé Roberto Guimarães após a vitória?

E o que dizer, então, do batuque no pódio antes de receber a medalha? O que dizer do coro puxado pelas meninas para as japonesas, ganhadoras do bronze? O que dizer das meninas puxando o ginásio inteiro em um “USA, USA” quando as americanas subiam ao pódio para receber a prata? O que dizer da emoção de milhares de brasileiros ao ouvir o Hino Nacional Brasileiro mais um vez, ao ver a bandeira do Brasil novamente no lugar mais alto do pódio?

Somos bicampeãs olímpicas no vôlei de quadra! As únicas mulheres a alcançarem este feito na história dos jogos. Temos um técnico que é o único brasileiro tricampeão olímpico da história. Temos atletas cheias de raça, que nos enchem de orgulho, orgulho de sermos brasileiros e de torcermos pelo sucesso da seleção brasileira de vôlei. Sabe de
uma? Temos, sim, motivos de sobra para chorar, comemorar ao ver uma conquista espetacular como essa! Sim, Brasil, o vôlei continua a nos orgulhar, sim! E que venha o tri, em casa, em 2016!


 

Tem mais vôlei aqui!

Veja quem são as mulheres que conquistaram o ouro olímpico hoje, em Londres:

Tandara Caixeta: oposta, natural de Brasília (DF), 23 anos, camisa 11
Jaqueline Carvalho: ponta, natural de Recife (PE), 28 anos, camisa 8
Sheilla Castro: oposta, natural de Belo Horizonte (MG), 29 anos, camisa 13 (MELHOR SAQUE DAS OLIMPÍADAS)
Fabiana Claudino: meio de rede, natural de Belo Horizonte (MG), 27 anos, camisa 1 (MELHOR BLOQUEIO DAS OLIMPÍADAS)
Fernanda Ferreira: levantadora, natural de Belo Horizonte (MG), 32 anos, camisa 9
Danielle Lins: levantadora, natural de Recife (PE), 27 anos, camisa 3
Thaisa Daher: meio de rede, natural do Rio de Janeiro (RJ), 25 anos, camisa 6
Fabiana Alvim: líbero, natural de Belo Horizonte (MG), 32 anos, camisa 14
Paula Pequeno: ponta, natural de Brasília (DF), 30 anos, camisa 4
Natália Zilio: oposta/ponta, natural de Ponta Grossa (PR), 23 anos, camisa 12
Fernanda Garay: ponta, natural de Porto Alegre (RS), 26 anos, camisa 16
Adenízia Silva: meio de rede, natural de Ibiaí (MG), 25 anos, camisa 5

// você está fazendo isso certo! (ou não…)

Especial Olimpíadas! Ok, estou oito dias atrasada e os vídeos nem são das olimpíadas de Londres. Mas estava eu passeando agora há pouco pelo Bombou na Web, na Érika Kokay, e lembrei de compartilhar umas coisas. Uns vídeos, umas fotos, uns pitacos, umas alfinetadas… Essas coisas. Tá entendendo, nada? Então, olha só:

Para começar, vamos ver dois vídeos: o desempenho da atelta australiana Michelle Jenneke, de 19 anos, nos 100m com barreiras, e o de um atleta chinês, de nome desconhecido, nos 110m, também com barreiras. Michelle correu – e venceu a bateria – este ano em Barcelona, na Espanha. Já o chinesinho trapalhão, disputou – e atrapalhou – a prova nos Jogos Universitários Chineses…

P.S. O aquecimento de Michelle, com direito a dancinhas, pulinhos, sorrisos e tchauzinhos para a câmera, deu à atleta o título de musa quase que instantaneamente 🙂

Agora, vamos aos momento Londres 2012 de verdade:

Esse é o Michael Phelps, nadador americano, dono de 22 medalhas olímpicas e maior atleta da história dos jogos, recebendo a medalha de prata nos 200m nado borboleta:

Essa é a mãe do Phelps, comemorando o ouro dele! Ooooops…

Viu o que dá um país disputar ouro e prata na mesma modalidade? Essas duas chinesinhas aí foram pra final do tênis de mesa e… adivinha? A Ning Ding, que ficou com a prata, não sabia se chorava ou se enforcava a Xiaoxia Li, que ganhou o ouro…

E por falar em decepção, a russa Victoria Komova ficou com cara de quem tava guardando o choro pra mais tarde quando foi receber a prata no individual geral da ginástica artística…

Aliás, já que estamos falando em ginástica, o cabelo dela tá bem mais bagunçado que o tão criticado cabelo da dona do ouro, a estreante americana Gabby Douglas. Entendeu nada tbm, né? Clica aqui pra ver o absurdo que passa na cabeça desse povo…

// 1944

“A espera, achava Kay, era a parte mais difícil. Nunca se acostumara com isso. Quando o Alarme soou, assim que bateram dez horas, ela, de fato, se sentiu melhor. Espreguiçou-se na cadeira e bocejou, voluptuosamente.

– Gostaria de umas duas fraturas hoje à noite – confessou a Mickey. – Nada sangrento demais. Já tenho o suficiente de sangue e entranhas por um bom tempo. E ninguém pesado demais. Quase rompi as costas na semana passada, com aquele policial em Ecclestone Square. Não, umas duas meninas magras com os tornozelos quebrados já estaria bom.

– Eu gostaria de uma senhora idosa gentil – disse por sua vez Mickey, também bocejando. Estava deitada no chão, em um colchonete, lendo um livro sobre caubóis. – Uma velhinha simpática com um saco de balas.

Tinha acabado de pôr o livro de lado e fechado os olhos, quando Binkie, a chefe do posto, entrou na sala comum, batendo as mãos.

– Acorde, Carmichael! – exclamou para Mickey. – Nada de cochilos no trabalho. Esse foi o Alarme, não ouviu? Eu diria que temos de uma a duas horas antes da farra começar, mas nunca se sabe. Que tal fazer uma inspeção no abastecimento de combustível? Howard e Cole, podem ir junto. No caminho, providenciem água para as garrafas nas vans. Está bem?

Houve várias imprecações e gemidos. Mickey se levantou devagar, esfregando os olhos, balançando a cabeça para os outros. Pegaram seus casacos e saíram para a garagem.

Kay espreguiçou-se de novo. Olhou para o relógio e depois em volta, procurando o que fazer: queria manter a mente ocupada para não pensar na espera. Encontrou um baralho de cartas gordurosas, pegou-as e embaralhou-as. As cartas eram para os recrutas e tinham fotos de garotas bonitas. Ao longo dos anos, o pessoal das ambulâncias tinha desenhado barba e bigodes, óculos e dentes faltando nas garotas.

Ela chamou Hughes, outro motorista.

– Topa jogar?

Ele estava cerzindo uma meia e a olhou com os olhos semicerrados.

– Qual a aposta?

– Um penny por vez.

– Está bem.

Arrastou sua cadeira para perto da dele. Ele estava sentado bem do lado do fogão a querosene e ninguém conseguiria convencê-lo a se afastar dali, pois a sala – que fazia parte do complexo de garagens sob a Dolphin Square, próxima ao Tâmisa – tinha o piso de concreto e as paredes de tijolo caiado, e estava sempre gelada. Hughes vestia um casaco de astracã sobre a farda e tinha levantado a gola. Suas mãos e pulsos, que se projetavam de suas mangas compridas e volumosas, pareciam de cera. Seu rosto era fino como o de um fantasma, seus dentes, manchados dos cigarros. Usava óculos com armação escura de tartaruga.

Kay deu as cartas e o observou organizá-las, delicadamente. Sacudiu a cabeça.

– É como jogar com a Morte – advertiu ela.

Ele sustentou seu olhar, e estendeu uma mão – apontando um dedo, depois o curvou.

– Hoje à noite – sussurou ele com um tom de voz de filmes de terror.

Ela jogou um penny nele.

– Pare com isso. – A moeda quicou no chão.

– Ei, qual é? – disse uma mulher de nome Patridge. Estava ajoelhada no chão, recortando um vestido em um molde de papel.

– Hughes estava me provocando arrepios – justificou-se Kay.

– Hughes causa arrepios em todo mundo.

– Desta vez, ele realmente quis me assustar.

Então, Hughes fez seu número da Morte para Patridge.

– Não tem graça nenhuma, Hughes – reclamou ela. Quando outros dois motoristas passaram pela sala, ele o repetiu para eles. Um dos dois gritou. Hughes levantou-se e foi até o espelho, e o fez para si mesmo. Voltou parecendo desanimado.

– Senti uma baforada do meu próprio túmulo – começou, pegando as cartas.

Nesse momento, Mickey entrou.

– Deu para sentir como está lá fora? – perguntaram.

Ela friccionava as mãos frias.

– Algumas colisões do outro lado de Marylebone, segundo R. e D.; o posto 39 já foi para lá.

Kay olhou para ela.

– Rathbone Place está tranquilo – disse ela baixinho –, você acha?

Mickey tirou o casaco.

– Acho que sim. – Soprou os dedos. – Qual é o jogo?

Houve um relativo silêncio durante algum tempo. Uma nova garota, O’Neil, pegou um manual de Primeiros Socorros e começou a treinar o procedimento. Motoristas e ajudantes entravam e saíam. Uma mulher que de dia era professora de dança vestiu um calção de lã folgado abaixo dos joelhos e começou a fazer exercícios: curvando-se, esticando-se, levantando as pernas.

Às quinze para as onze, ouviram a primeira explosão perto. Logo depois, teve início a bateria antiaérea no Hyde Park. Embora o estrondo das explosões parecesse vir do concreto sob seus sapatos, fazendo a louça e talheres da cozinha chocalharem, o posto ficava a uns três quilômetros das armas.

Mas somente O’Neil, a nova garota, soltou uma exclamação. Todos os outros simplesmente continuaram a fazer o que estavam fazendo antes, sem erguer os olhos – Patridge, talvez, prendesse seus moldes de papel um pouco mais rapidamente, e a professora de dança, depois de um momento, saiu para vestir de novo sua calça. Mickey, que tinha tirado as botas, voltou a calçá-las, preguiçosamente, e começou a amarrá-las. Kay acendeu um cigarro na guimba do anterior. Valia a pena fumar mais cigarros do que queria realmente, ela achava, a essa altura, para compensar o momento frenético por vir, quando ficariam sem fumar por horas a fio.

Houve o estrondo de outra explosão. Pareceu mais próxima do que a primeira. Uma colher de chá que se movera sinistramente sobre a mesa, como se impulsionada por espíritos, agora voou para o chão.

Alguém riu. Outro disse:

– Esta noite, não teremos escapatória, crianças!

– Podem ser aviões para despistar – sugeriu Kay.

Hughes resfolegou.

– Pode ser minha tia Fanny. Lançaram fotografias na noite passada, juro. Vão voltar, se não por outra coisa, por causa das ferrovias…

Ele virou a cabeça. O telefone, na sala de Binkie, tinha começado a tocar. Todos se imobilizaram. Kay sentiu uma pontada rápida, aguda, de ansiedade, no fundo de seu peito. O telefone foi silenciado, quando Binkie o atendeu. Ouviram a sua voz claramente:

– Sim. Entendo. Sim, agora mesmo.”

Sarah Warters, Ronda Noturna (2007). P. 182-185

// bicicletando em Londres

Antes de começar a escrever, pensei em não reclamar, em ser menos rabugenta só dessa vez. Mas o assunto não permite. Só uma reclamaçãozinha de leve: por que, minha gente, as pessoas no Brasil não conseguem colocar em prática soluções viáveis para melhorar o trânsito? Hoje eu entro num ônibus e, às vezes, tenho mais medo de ficar dentro dele do que em cima da minha bicicleta. Quando o motorista desce a Avenida Contorno no começo da manhã ou o viaduto da Rótula do Abacaxi no final da tarde, a oração começa com “Senhor, não faça com que esse ônibus despenque daqui” e acaba com “Ufa! Mais 24 horas”.

E aí a gente vai vendo que as pessoas até tentam, mas não se vê solução para o trânsito caótico nas grandes cidades brasileiras. E por aí a fora, a gente vai vendo as coisas funcionarem. Não foi um passe de mágica, mas estão aí para servir de exemplo. Só que ninguém segue…

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