// “Desocupa”, por Caetano Veloso

Precisava compartilhar esse artigo. Foi publicado na edição deste domingo (05/02/2012) no Jornal A Tarde (Salvador). Demorou um pouco, mas saiu uma bela reflexão, não apenas sobre o Desocupa, mas sobre a situação pela qual Salvador passa há bastante tempo. Mobilização popular já!

“Quando cheguei à Bahia, na véspera do Natal, fui logo para Santo Amaro ver minha mãe e meus irmãos. Voltei para Salvador para ver meus netos e meu filho mais velho. Meus filhos menores chegaram logo em seguida. Não atentei muito para a cidade de Salvador, seus aspectos atuais e seus clamores. Mas cedo em janeiro já recebi e-mail de um camarada meu daqui com um protesto (e um convite para ir à rua me manifestar) contra a construção de um imenso camarote para o carnaval, gigante que cobria a recém-inaugurada pracinha da praia de Ondina. Parece que a construção dessa praça tinha sido patrocinada pela mesma empresa que agora construía o camarote. Por muitas razões – a menor delas não sendo o fato de Ondina ter sido meu bairro por muitos anos, onde Moreno cresceu e onde Dedé ainda passa os verões -, tive pena de não poder ir à manifestação. Mas fiquei (e ainda estou) fascinado com o nome que o movimento, nascido na internet, ganhou: DESOCUPA SALVADOR.

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// pagode baiano em alta produção: Desocupa!

Charge: Sid (Clique na imagem para visualizar outras ilustrações)

A produção pagodística de Salvador vem crescendo – graças a Deus, com composições dignas. Não, não mudei de lado nem virei pagodeira da noite pro dia. É que as singelas homenagens ao DJ do Buzu e ao João Fanfarrão são dignas de elogios!

Aleh Santana, colega de profissão e companheiro de indignação tem feito excelente uso do talento pagodístico para chamar a atenção das pessoas de forma super divertida. E lá vamos nós!

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// a cidade é de todos

Bom, já bem diz o panfleto, né? Ou, pelo menos, é o que nós queremos que seja verdade. Infelizmente, nessa terra de ninguém em que se transformou Salvador, essa realidade ainda é um pouco distante. Parece piada que uma praça pública, recém construída, seja coberta de tapume no mês de dezembro para a construção de um camarote para o carnaval que acontece em fevereiro. Cadê o banco? E a barraquinha de coco? E a quadra poliesportiva? E o local de lazer das pessoas? Foi embora, junto com o respeito à população da cidade.

No lugar, interesses privados, milhões envolvidos e um anúncio: OBRAS CAMAROTE SALVADOR. E pensar que a Praça dos Indignados – sim, como prefiro continuar chamando-a – era ocupada por cidadãos responsáveis que apenas lutam pelo direito da população a usar integralmente, durante todo o ano, os seus espaços de lazer.

Movimento Ocupa Salvador

Aí um grupo – Sim, caríssimos, um grupo! Movimentos não têm um único líder, têm envolvidos – decide fazer uma manifestação pacífica e artística para protestar contra o desmando que assola a cidade. Música e arte na praça que deveria estar sendo usada pelo povo. De repente, na véspera do movimento, uma das envolvidas no projeto recebe uma intimação judicial por conta de uma medida liminar concedida por um juíza que proibia a realização da manifestação.

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