// diário de uma Otária: senta, senta, senta…

Tá chegando a hora de você sentar.
Tá chegando a hora de você sentar.

SENTA, SENTA, SENTA, SENTA, SENTA, SENTA, SENTA, SENTA!!
SENTA, SENTA, SENTA, SENTA, SENTA, SENTA, SENTA, SENTA!!
SENTA, SENTA, SENTA, SENTA, SENTA, SENTA, SENTA, SENTA, SENTAAAAAA!!

OH, TÁTÁTÁTÁTÁTÁTÁTÁTÁTÁTÁTÁTÁTÁTÁ
A MENINA JÁ TÁ PRONTA PRA SENTAR!

SENTA, SENTA, SENTA, SENTA, SENTA…

Não, gente, o objetivo não é torturar ninguém, nem fazer mal aos ouvidos, nem obrigar ninguém a ouvir esses mais de 7 minutos de agonia. E nem fazer ninguém analisar semanticamente a palavras “senta”, muito menos fazer alguém enjoar da pobre palavra. Isso tudo é pra dizer que, hoje, eu vinha do trabalho pra casa, no fundo do buzu (porque só tinha lugar lá) e ouvi a seguinte declaração de uma menina, de 16 ou 17 anos, no máximo, que entrou aos gritos junto com outros oito ou nove colegas de escola, fazendo um barulho tão grande que eu mal consegui ouvir o “puta que o pariu” que meu coleguinha do lado soltou quando viu que a gente não tinha escolhido o melhor lugar para ter uma viagem “de paz”, por assim dizer. Lá vai:

– AHHHHHH, EU AMO ESSA MÚSICA! Senta, senta, senta, senta, senta, senta, senta…

É verdade. E eu vim ouvir a música pra ter certeza de que era só isso mesmo, que não tinha mais nada na tal da letra. Que tem, tem. É só ouvir, assistir o clipe oficial que eu coloquei na abertura do post (para simples conferência). Mas a discussão não é essa. A discussão é que, ou eu tô ficando velha (física e psicologicamente) e rabugenta, ou o mundo é outro, mesmo.

Quando a turminha entrou no buzu, não fosse a farda, eu diria que estavam indo animadíssimos para mais um desses “pot-pourri” de pagode (leia-se: essas festas com cinco ou seis bandas de pagode, que tocam por 12 horas seguidas). Cada um com um celular na mão, cada um tocando uma música diferente, mas sempre distribuídos entre pagode ou funk. Um menino “pegando” uma menina; a menina que tava sendo “pegada” pelo menino falando mal de outra: “aquela ali é só pra sexo”; um aglomerado de meninos que não conseguiam falar em um tom que só eles (ou nós, já que eu tava lá) ouvisse; os meninos que entraram pela janela; a menina que amava a música do senta senta; uma menina comportada, com fone de ouvido, sem dar muita trela pros colegas, mas sendo chamada de “irmã”, provavelmente por ser evangélica. E a mesma menina que, depois notei, ouvia o mesmo “senta senta senta senta senta…”.

Passamos, eu e o coleguinha, uns 40 minutos naquele fundo de buzu. E chegamos a uma conclusão: se sentar no meio ou na frente do ônibus e encarar a viagem com uma turma dessas lá no fundo já não é fácil, imagine aguentar essa com o bate-papo da galera colado no seu ouvido. Aí eu, Otária da Silva Sauro (tava sumida, eu sei…), me pergunto: se nessa idade, esse povo não tem a menor noção de educação, respeito ao próximo, pudor, autocrítica, autovalorização… o que vem por aí?

Tô falando como a “tia” do colégio, que viveu em outra geração, né? Mas repare, quando eu tinha 15 ou 16 anos, o mundo era outro (com exagero ou não, o comportamento era outro). Alguns dos meus colegas poderiam até se comportar de um modo que, talvez, pudesse chegar perto disso. Mas era coisa de menino mal-edeucado, que era criticado. E mesmo diante das críticas, existia um limite, um acordo tácito, sei lá, algo do tipo, que constrangia, que travava alguns comportamentos quando a coisa começava a ultrapassar o aceitável. Parece que isso não existe hoje…

Do mesmo modo como o meu assunto com o coleguinha teve que acabar, porque, sentados um do lado do outro, a gente não conseguia se ouvir, os outros passageiros certamente não estavam nem um pouco felizes com a baderna. Sou contra a violência, lógico, mas é por situações como essa que eu super apoio a senhora que, dia desses, pegou um guarda-chuva e tacou na cabeça de um menino desses, que além de fazer a bagunça geral, ainda gritava aos quatro ventos que os incomodados deveriam descer e pegar um táxi. Falta de respeito tem limite. Ou deveria ter, né?

// R.I.P. Whitney Houston

É, mais um… Não que deva ser visto assim, claro que não. Mas é esquisito como vamos perdendo talentos inquestionáveis da nossa música. Vamos falar do susto que foi perder Amy, depois Wando – com a confusão da greve da PM baiana, mal deu para postar qualquer coisa por aqui -, agora o mundo perde Whitney Houston, a grande estrela que emplacou hits por anos. Quem nunca cantou I Will Always Love You, a plenos pulmões, seja de que idade for, que atire a primeira pedra. E quem nunca a ouviu nas dezenas de DVDs de flashback 80’s e 90’s, também.

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// sugar plum fairy

Foto: Divulgação

Anna e Arkadiusz Szafraniec são poloneses e formam o Glass Duo, uma pequena orquestra, se assim posso dizer, de taças de cristal. Isso mesmo. Quem frequentou minimamente as aulas de Física conhece o fenônemo das “taças cantantes”, em que é possível retirar sons de taças – não apenas de cristal, mas também de vidro fino – ao deslizar os dedos umedecidos em sua borda. Quanto menor a quantidade de água nas taças, mais grave é o som. Quanto maior, mais agudo. O resultado é o que se chama de ressonância. Não é difícil de fazer, mas executar uma obra clássica com isso, aí já são outros 500.
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// La Guagua

Celia Cruz, a "Rainha da Salsa", cantou a odisseia do buzu em Cuba

O Diário de uma Otária, hoje, é internacional. Estava indo a uma pauta com o colega Darío Guimarães ao som de uma senhora cubana que fugiu do país de origem em 1959, por conta do regime de Fidel Castro, e jamais retornou. Falo de Celia Cruz, a “Rainha da Salsa”, maior intérprete cubana, que gravou 76 álbuns e ganhou 20 discos de ouro.

Celia Cruz nasceu em Havana (Cuba) em 21 de outubro de 1925. Mudou-se para o México e 1959 e, de lá, para Nova York (EUA), onde viveu até os últimos dias (16 de julho de 2003). Lá, vez sucesso estrondoso cantando apenas em espanhol.

Celia Cruz gravou uma música que faz qualquer soteropolitano que anda de buzu se sentir em casa! La Guagua conta a verdadeira odisseia pela qual passam os cidadãos cubanos todos os dias – e, porque não, os soteropolitanos também, porque a ladainha é absolutamente a mesma!

Sugestão de Darío Guimarães. Ouçam e veja La Guagua – ou, O Buzu, de Celia Cruz:

// quem inventou o amor?

Ó que lindo o que eu achei, gente! Confesso que não sabia dos dotes vocais de Leandra Leal. Tudo bem, estou atrasada cinco dias. Mas ando tão sumida da frente da TV que só ando saltitando com as partidas de vôlei nos Jogos Panamericanos de Guadalajara, no México.

Enfim. A interpretação super fofa de Leandra Leal e Daniel de Oliveira faz parte do novo quadro do Fantástico, chamado “A História do Amor”. A dupla de atores estrela o quadro, escrito por Guel Arraes e Jorge Furtado, composta de seis capítulos, e canta também o tema da abertura: “Antes das Seis”, sucesso da Legião Urbana.

Interpretação muito bonitinha dos dois, clipe muito legal e arranjo sensacional feito por Dado Villa-Lobos. Não poderia mesmo ter ficado melhor!