// o grito agora tem outro som

Foto: Donminique Azevedo / Divulgação

Cometi o pecado de ir assistir à primeira montagem de Negreiros no último dia do espetáculo. Paguei com o castigo de não rever, rever, rever… outras dez vezes! Agora – quer dizer, quinta-feira (3) – meu castigo vai diminuir um pouquinho. Negreiros 2 entra em cartaz, dessa vez com nova roupagem e com interação de técnicas de animação gráfica. Tudo isso para questionar um dos maiores mitos da atualidade: a democracia racial.

“A dor é de quem sente e não de quem teoriza sobre ela! A mais de 100 anos a escravidão física foi abolida, mas a mental permanece e faz suas vítimas até hoje. Por isso, aproveitamos o mês da consciência negra para refletir, por meio de um espetáculo poético, sobre o posicionamento da sociedade acerca da temática”, revela o ator, dramaturgo e diretor Leandro Rocha.

Em texto inspirado na obra O Navio Negreiro, de Castro Alves, Negreiros 2 transita no universo do negro escravo, cativo e maltratado. A ironia é utilizada em todo o espetáculo, através de recursos linguísticos que criam paralelos entre causas, efeitos e consequeências de diversas situações preconceituosas, às quais a população negra é frequentemente exposta.

O texto, a direção e a atuação são de responsabilidade de Leandro que, desta vez, conta com o trabalho do grupo de animadores gráficos da OI KABUM, coordenados por Fábio Farani. Participam ainda da equipe a maquiadora Marie Thauront (Seu Bonfim, Policarpo Quaresma, Comédia do Fim, além da própria Negreiros, em primeira exibição), preparação corporal, assistência de direção e iliminação de Marcos Oliveira (Espetáculos Domingo no Parque, As Replicantes, O Cidadão de Papel). A trilha sonora inédita é de Leandro Rocha, Danilo Santana, Atanaelson Santos e Isaac Ribeiro. O figurino é de Leo Terra e o cenário, de Hamilton Lima.

Negreiros 2 estreia nesta quinta-feira (3) e segue em cartaz até 27 de novembro, de quinta a domingo, no Espaço OI KABUM (Terreiro de Jesus, Pelourinho). O espetáculo começa às 20h e a entrada é franca. O público poderá levar, voluntariamente, alimentos não perecíveis, que serão doados à instituições de caridade. Vamo lá, gente!

// melanina acentuada

Foto: Filipe Cartaxo | Divulgação

“- E a santa?
– Que santa?
– A santa, rapaz, a padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida…
– Ihh, rapaz, é mesmo!
– Melanina acentuadíssima!
– Ali caprichou, viu?”

Para quem não assistiu a peça, ainda tem um final de semana e dois dias de crédito. “Namíbia, não”, com texto de Aldri Anunciação e direção de Lázaro Ramos, é uma peça que chama a atenção do público não apenas pelo humor ácido. Por trás disso, uma complexa discussão encontra terreno fértil.
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// entrevista: Cibele Lisboa e Leonardo Alves

Leonardo Alves e Cibele Lisboa, em Diferente - Foto: Rafael Martins

Pela primeira vez, acho que vou usar o nome desse blog num post. Estive “pensando”, depois de assistir ao Espetáculo Diferente na semana passada, na genialidade que existe em coisas simples. O Espetáculo Diferente é um bom exemplo: conta a história de amor de Daniele (Cássia Domingos) e Victor (Leonardo Alves), um garoto surdo e aspirante a ator. A peça, com texto de Cláudio Simões, Ivan Santos, Leandro Rocha e Roberto Salles tem direção do último e é um projeto idealizado por Rocha.
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