// bora, fabí!! (II)

unnamedÉ tempo de Copa do Mundo de Futebol. É, futebol, bola no pé, nada de botar a mão. Mas a Copa é no Brasil, e em se tratando de Brasil, a gente fala mesmo é de esporte. Se no ano passado, na Copa das Confederações, a então ministra da casa Civil Gleisi Hoffmann apelou pro marketing de emboscada e vestiu, em plena abertura do evento, uma camisa da seleção brasileira de vôlei – patrocinada pelo Banco do Brasil -, quem sou eu para não poder vestir a 14 de Fabí quando o país todo celebra o futebol?

Pois, vesti. Suíça e Equador já se enfrentavam há cerca de 15 minutos em Brasília quando eu peguei um short jeans e enfiei a primeira camiseta que encontrei na frente para ir procurar o que comer. A primeira camisa que eu encontrei foi minha menina dos olhos, a amarelinha nº 14, usada durante 12 anos na seleção feminina de vôlei do Brasil pela líbero Fabiana Alvim, a Fabí.

E, assim como aconteceu como quando eu a usei pela primeira vez, alguém gritou. Um sujeito que subia a Ladeira da Barra dentro de um Fiat Uno vermelho abriu o vidro, botou a cabeça pra fora e largou:

– BOOOOORA, FABIIIII!!!!

Acho que dessa vez o rapaz não achou que fosse a própria, batendo perna em Salvador. Mas o gritou do sujeito, no mesmo tom e na mesma empolgação do garotinho que até me pediu autógrafo um tempo atrás, mostrou o quanto vai deixar saudades a atuação da nossa líbero pela seleção. Eu, particularmente, não me lembro de outra líbero ter marcado tanto os jogos que, enquanto torcedora ferrenha, assisti roendo as unhas, de pé, na frente da TV.

Com certeza não assisti a todos eles, infelizmente, mas eis os números: Fabí entrou em quadra pelo Brasil 313 vezes e venceu 275 destas partidas, foi Bi-campeã olímpica, levou cinco edições do Grand Prix e duas pratas em Mundiais.

A presença de Fabí em quadra vinha sendo substituída, aos poucos, por Camila Brait, mas ainda é difícil pensar o Brasil sem Fabí por ali. É como Fernanda Venturini – substituível, mas difícil de se acostumar…

Na despedida, anunciada no dia 13 de junho no Centro de Treinamento da CBV, em Saquarema, ao lado do técnico, José Roberto Guimarães, e de colegas de Seleção – como Sheilla, Jaqueline, Fabiana e Thaisa, todas bi-campeãs olímpicas -, Fabí disse que vinha amadurecendo a ideia desde o ano passado. Mesmo assim, a decisão surpreendeu por acontecer a dois anos da disputa de uma Olimpíada no Brasil.

Foto: Divulgação / CBV

Foto: Divulgação / CBV

“Foi uma decisão muito difícil. Pensei nisso durante todo o ano passado e até esse momento. Refleti sobre o que eu já tinha feito na seleção brasileira. A minha relação com a seleção foi o melhor casamento que poderia acontecer. Tivemos dois filhos que foram duas medalhas olímpicas e procurei sair desse casamento com muita lucidez, estando consciente de que foi bacana, que deu tudo certo e que eu fiz tudo que tinha para fazer. Contribuí da melhor maneira possível e deixo uma história bacana. A minha missão foi cumprida”, disse Fabí.

O técnico Zé Roberto Guimarães disse que a equipe tentou fazer com que a líbero mudasse de ideia, mas…

“Tentamos mudar a decisão da Fabí porque a história dela se mistura com a história desse grupo. Ela superou muitas dificuldades e obstáculos para ser a jogadora que é hoje. A história dela é de empenho, dedicação e superação, principalmente nos momentos mais difíceis da carreira dela. Temos que respeitar a escolha e torcer para que ela seja muito feliz. No entanto, o importante é o legado e o exemplo de pessoa e atleta que ela deixa para todos. Ainda tenho esperança de contar com ela, pois a Fabi sabe o quanto ela é querida e que vai fazer muita falta. Agradeço muita tudo que ela fez pela seleção”, afirmou.

Todo o respeito à Camila Brait, que certamente assumirá o lugar de Fabí na seleção e que com certeza fará um ótimo trabalho. Mas, depois de 12 anos, Brasil sem Fabí é como a Copa de 70 sem Pelé e Garrincha, como 94 sem Bebeto e Romário…

 

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// me pediram um autógrafo; quase dei

2013-08-15 20.52.53Não, não é vaidade de jornalista. Na verdade, me convenceram de que eu fui uma pessoa má, que destruiu a ilusão de uma criança, algo próximo a ter contado para ela que Papai Noel não existe. Mas, sim, me pediram um autógrafo. Era engano, claro, mas pediram. E esta blogueira que nos escreve, boa alma, quase deu =P

Já falei para alguns amigos e ando também desconfiando de que serei desclassificada das próximas promoções da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV). Já ganhei de tudo, de ingresso pra jogo (nunca fui) a top autografado da Juliana, quando ela encerrou a dupla de praia com Larissa. Por último, uma camisa da líbero Fabí.

Como boa torcedora, fanática, louca, reclamona, apaixonada por vôlei, fui fazer a boa e velha corridinha na orla com a camisa amarela abençoada. E um agravante: sem perceber, de short azul marinho, toda uniformizada de jogadora de vôlei – só faltou ser grande =/

Corria, corria, e o povo olhando. Quando eu já estava achando que tinha alguma coisa errada com a roupa, que o short tinha ficado pelo caminho, que a calcinha tava aparecendo, que eu estava sangrando, que minha cabeça estava verde, parei, de turista, para tirar uma foto do Farol da Barra. Aí começou a ladainha.

– Fabi…

Continuei com a minha foto.

– Fabiii?

Nada. De repente, uma criaturinha me cutuca. Me virei e a pessoinha, que deveria ter uns 5 aninhos:

– Fabi, você me dá um autógrafo?

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Poderia ter dado, né? Tava de óculos escuros, ela nem ia perceber na foto que eu não pareço nem um pouco com a Fabí de verdade – só um pouquinho da loucura. Escrevia lá, botava uma carinha feliz e deixava a criaturinha alegre, achando que tinha um autógrafo da Fabí. Mas, não. Acabei com a ilusão da criança…

– Poooxa, eu não sou a Fabí, só tenho a camisa dela. Ela tá no Japão, ganhando todas!

A menina fez uma carinha de riso, mas meio tristinha. Quase peguei o endereço dela, pra encomendar o autógrafo e mandar depois. Mas nem isso… O choque de alguém me tirar do santíssimo anonimato por dois minutos foi maior.

// Chupa, futebol. Aqui é vôlei!

Este post começou a ser escrito na terça-feira (7), depois da vitória espetacular das meninas do Brasil sobre as russas, por 3 sets a 2. Queria escrever tudo naquele dia, mas resolvi esperar e acreditar que iria fazer o post do Bi Olímpico. E deu certo: as meninas ganharam o ouro, de virada, sobre as americanas, e são as primeiras mulheres da história a conquistar um bi-campeonato na história dos Jogos Olímpicos! \o/\o/\o/

Este é, também, o post mais emocionado dos últimos tempos. Por dois motivos: primeiro, porque sou brasileira e, lógico, não desisto nunca; segundo, porque o vôlei foi o primeiro assunto a me “apresentar” ao jornalismo. Para quem não sabe, eu fui colunista/comentarista de vôlei em um site especializado há uns três ou quatro anos atrás. E faz tempo que não sentia a emoção de praticamente “entrar em quadra” junto com as meninas.

Escrever sobre vôlei e sobre a atuação e a superação das meninas é especial. Quem me conhece, sabe como eu assisto a uma partida do esporte que mais cresce e – ouso dizer – mais vem dando alegrias aos brasileiros: de pé, na frente da TV, gritando, sem piscar, reclamando que a bola deveria ser levantada pra um lado, não pro outro, que era pra ter
cravado o ponto, não largado, etc. Coisa de torcedor chato que acha que sabe mais que o técnico… hehe

Mas nessas olimpíadas, as coisas aconteceram de um jeito um pouco diferente… Mais da metade dos jogos ocorreram no meu horário de trabalho. Ou seja, não dava para gritar, pular e ficar em pé na frente da TV dentro da uma redação de jornal (não foi exatamente o que aconteceu no tie-break entre Brasil e Rússia). Por dentro, no entanto, a emoção era a mesma. A alegria de ver as meninas brilharem em quadra e fora dela, se superarem e darem a volta por cima a cada partida, maior ainda!

Ver sheilla crescer a cada jogo, fazer 12 aces e se consagrar a melhor sacadora das Olimpíadas; ver Fê Garay ser a melhor receptora; ver Fabiana ser eleita a melhor bloqueadora; ver o choro de Thaisa, as cravadas fenomenais pelo meio de rede, ver a atuação impecável de Jaqueline; ver as defesas impossíveis de Fabizinha; ver o Brasil atropelar os Estados Unidos pela segunda Olimpíada seguida, mais uma vez por 3 sets a 1, de virada… não, isso não tem preço!

O que dizer da torcida em Londres, com mais brasileiros do que tudo, gritando “ÔÔÔ, O CAMPEÃO VOLTOOOU!” durante o tie-break contra a Rússia? O que dizer do narrador da Sportv chorando após o ponto de Fernanda Garay, fechando o jogo em 21×20? O que dizer do peixinho do Zé Roberto Guimarães após a vitória?

E o que dizer, então, do batuque no pódio antes de receber a medalha? O que dizer do coro puxado pelas meninas para as japonesas, ganhadoras do bronze? O que dizer das meninas puxando o ginásio inteiro em um “USA, USA” quando as americanas subiam ao pódio para receber a prata? O que dizer da emoção de milhares de brasileiros ao ouvir o Hino Nacional Brasileiro mais um vez, ao ver a bandeira do Brasil novamente no lugar mais alto do pódio?

Somos bicampeãs olímpicas no vôlei de quadra! As únicas mulheres a alcançarem este feito na história dos jogos. Temos um técnico que é o único brasileiro tricampeão olímpico da história. Temos atletas cheias de raça, que nos enchem de orgulho, orgulho de sermos brasileiros e de torcermos pelo sucesso da seleção brasileira de vôlei. Sabe de
uma? Temos, sim, motivos de sobra para chorar, comemorar ao ver uma conquista espetacular como essa! Sim, Brasil, o vôlei continua a nos orgulhar, sim! E que venha o tri, em casa, em 2016!


 

Tem mais vôlei aqui!

Veja quem são as mulheres que conquistaram o ouro olímpico hoje, em Londres:

Tandara Caixeta: oposta, natural de Brasília (DF), 23 anos, camisa 11
Jaqueline Carvalho: ponta, natural de Recife (PE), 28 anos, camisa 8
Sheilla Castro: oposta, natural de Belo Horizonte (MG), 29 anos, camisa 13 (MELHOR SAQUE DAS OLIMPÍADAS)
Fabiana Claudino: meio de rede, natural de Belo Horizonte (MG), 27 anos, camisa 1 (MELHOR BLOQUEIO DAS OLIMPÍADAS)
Fernanda Ferreira: levantadora, natural de Belo Horizonte (MG), 32 anos, camisa 9
Danielle Lins: levantadora, natural de Recife (PE), 27 anos, camisa 3
Thaisa Daher: meio de rede, natural do Rio de Janeiro (RJ), 25 anos, camisa 6
Fabiana Alvim: líbero, natural de Belo Horizonte (MG), 32 anos, camisa 14
Paula Pequeno: ponta, natural de Brasília (DF), 30 anos, camisa 4
Natália Zilio: oposta/ponta, natural de Ponta Grossa (PR), 23 anos, camisa 12
Fernanda Garay: ponta, natural de Porto Alegre (RS), 26 anos, camisa 16
Adenízia Silva: meio de rede, natural de Ibiaí (MG), 25 anos, camisa 5